Secretaria Municipal da Cultura

 

Secretaria Municipal:
Adriana Silva

Endereço:
Praça Alto do São Bento, s/n°
Cep 14085-600
Ribeirão Preto - SP
Fone (16) 3636-1206

gabinete@cultura.pmrp.com.br

 

 

 


Centro Cultural Cianê

Trata-se da proposta de restauração do prédio da antiga fábrica de tecido Matarazzo e a instalação no local, aproximadamente 40 mil metros quadrados, do Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto, conforme acordado em TAC assinado pela Prefeitura Municipal e a Promotoria do município, do MIS – Museu da Imagem e do Som, da Fundação Instituto do Livro, da Biblioteca Pública Municipal Guilherme de Almeida, do Centro de Formação e da Casa do Turismo de Ribeirão Preto.



Galpão 1:

Espaço a ser destinado para um memorial da Fábrica de Tecido Matarazzo
Espaço a ser destinado à Associação de Moradores do Bairro Campos Elíseos
Web Café, loja de suvenir, recepção.

Galpão 2:

Espaço a ser destinado ao centro de formação com a possibilidade de cursos
relacionados ao universo cultural – gráficos, design, arquivista, editor, weber...


Galpão 3:

Espaço a ser destinado para a Secretaria da Cultura para implantação do:

Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto;                    
Fundação Instituto do Livro de Ribeirão Preto e
Biblioteca Municipal Guilherme de Almeida Prado


Galpão 4:

MIS – Museu da Imagem e do Som.


Histórico:


Os galpões remanescentes do complexo industrial IRFM – Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo – guardam boa parte das lembranças dos moradores dos bairros Campos Elíseos e Ipiranga. O fluxo de pessoas e mercadorias deixou marcas profundas na constituição destes bairros. Famílias instalaram-se perto da fábrica, ruas foram abertas, escolas fundadas, enfim, a vida era tecida nas máquinas de tecelagem.

O homem que trouxe para Ribeirão Preto as IRFM foi Francesco Antonio Maria Matarazzo, que ficou conhecido como Conde Francisco Matarazzo. Nascido em Castellabate, Itália, em 9 de março de 1854, filho de Costábile Matarazzo e Mariângela Jovane. Chegou ao Brasil ainda jovem, em 1881, estabeleceu-se em Sorocaba – SP, onde fundou uma empresa de produção e comércio de banha de porco, (produto até então importado dos EUA). Juntamente com os seus irmãos, Giuseppe e Luigi, fundou a Indústria Matarazzo & Irmãos, em 1890. No ano seguinte, a indústria foi dissolvida, dando lugar a Companhia Matarazzo S.A. Em 1900, já na capital, São Paulo, inaugurou uma fábrica de trigo. Com o lema “uma coisa puxa outra”, Francisco ampliou e diversificou seus negócios: para embalar o trigo que importava, começou uma tecelagem, do caroço do algodão iniciou a produção de óleo.

Finalmente, em 1911, Matarazzo fundava as Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo – IRFM, que chegaram a Ribeirão Preto em 1935, instalando-se na Rua Saldanha Marinho, com uma beneficiadora de algodão. Um ano antes de falecer, em 1936, com o intuito de visitar a nova fábrica, o Conde Francisco Matarazzo visitou a cidade e foi recebido com grande festividade.
Em 1945 foram iniciadas as obras para instalar a fábrica de fiação e tecelagem da IRFM, no bairro Campos Elíseos, com projeto do engenheiro Mario Calore (Arquivo Histórico, planta n. 323 – Catálogo). A Inauguração solene ocorreu em 22 de junho de 1946, com a presença de Mariangela Matarazzo - Condessa Francisco Matarazzo Jr. (Diário da Manhã, 23/06/1946, pág. 8). As obras só foram concluídas em 1951.

A economia ribeirão-pretana sofreu um impacto considerável com a instalação da tecelagem, gerando emprego e diversificando a economia local. É difícil encontrar um velho morador dos Campos Elíseos que não tenha trabalhado, ou que não seja ligado direta ou indiretamente a alguém que tenha trabalhado na “Matarazzo”, afinal, em 1976, a empresa empregava 4.200 funcionários.

Em novembro de 1981, já com apenas 600 funcionários, a Matarazzo foi à falência. O complexo foi adquirido pela Companhia Nacional de Estamparia – CIANÊ. Entretanto, a vida da CIANÊ no município foi curta, em 1994 abriu falência. Os milhares de funcionários ainda tentaram, apoiados pelo sindicato, tocar a fábrica, que acabou fechando e deixando um grande volume de desempregados, dívidas e gerando um “vazio urbano”. O conjunto arquitetônico passou para o Banco Itaú, que pretendia dispor da área para projetos imobiliários. É fato que a ameaça da perda desperta o desejo de preservação. Como resultado, em 09 de junho de 1994, a Câmara Municipal declarou de valor histórico e cultural o conjunto arquitetônico, pela Lei Municipal n. 6.826.

Em 23 de maio de 2002, a Câmara Municipal aprovou a lei nº. 9567, que revogava em todos os termos a lei 6.826/94, “destombando” o complexo arquitetônico (projeto de lei nº 507/2002, de autoria de Cícero Gomes da Silva). Havia um projeto que pretendia instalar nessa área o Terminal Rodoviário. A comunidade se mobilizou contra a ameaça de demolição dos prédios. Dentre as associações que se mobilizaram estava o CONPPAC – Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural, a ONG VIVACIDADE, a ONG Pau Brasil e a Associação Campos Elíseos.

Em 13 de outubro de 2004, a BFB Leasing S/A Arrendamento Mercantil (Itaú), assinou um acordo com a Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, intermediado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo. O acordo previu o desdobro da área, consolidando três lotes distintos, um com 39.457,00 m2, que foi doado pelo Itaú à Prefeitura Municipal, outro com cerca de 9.388,00 m2, e o terceiro lote com cerca de 58.361,00 m2. Estas duas últimas áreas foram negociadas pelo Banco Itaú, a área menor foi vendida para uma transportadora e a área maior para um empreendimento imobiliário.

A área destinada para a prefeitura inclui três galpões de interesse histórico e cultural que deverão ser restaurados, preservados e tombados por ato administrativo. O acordo ainda prevê que parte de um dos galpões deverá abrigar o Arquivo Público e Histórico "Pero Vaz Caminha".

 


                            
 

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